Samba, mé e Trapalhões


mussum

Por Equipe O Samba //

Os 18 anos de sucesso arrebatador nos “Trapalhões”, os clássicos bem-humorados dos Originais do Samba, a relação umbilical com a Estação Primeira de Mangueira. Tudo isso é mais do que conhecido sobre a história de Antônio Carlos Bernardes Gomes, o Mussum. O que poucos conhecem de fato, no entanto, é a pessoa. Contar quem ele realmente era foi o desafio do jornalista Juliano Barreto, autor da biografia “Mussum forévis – samba, mé e Trapalhões” (432 páginas, R$ 49,90).

Filho de empregada doméstica negra e analfabeta, Carlinhos, como era chamado na infância, cresceu se alimentando de sobras, virou adolescente em colégio interno linha-dura e teve que se virar como mecânico e morando em cortiços. “Mesmo com tantas dificuldades, Carlinhos tinha um instinto único para fazer músicas e amigos”, conta o autor no prefácio do livro.

Nascido em 7 de abril de 1941, no Morro da Cachoeirinha, no Rio de Janeiro, Antônio Carlos teve muitos apelidos antes de passar a ser conhecido por Mussum – como Grande Otelo o apelidara. Antônio Carlos foi antes disso o Carlinho do Reco-Reco, por exemplo. O apelido surgiu no União da Guanabara, um bloco na região da Leopoldina. Foi lá que aprendeu a sambar, tocar pandeiro, tantã, surdo, agogô e tamborim.

No União da Guanabara, o problema é que na hora do partido-alto os instrumentos acabavam nas mãos dos sambistas mais experientes. Sobrava assim para o moleque o velho reco-reco de bambú. O caminho foi improvisar. Já mecânico, Carlinhos aproveitou o material da oficina (chapas, molas, porcas) para montar seu próprio instrumento. “Era assim que os sambistas da época se viravam. Não muito longe dali, em Mangueira, Mestre Valdomiro havia descoberto alguns anos antes as maravilhosas propriedades do couro de gato na confecção de tamborins”, lembra o autor.

E assim surgia o Carlinho do Reco-Reco. Depois viria O Cabo Fumaça, Muçum, Mussum, Caco, Diabo, Malhado, Mussa, Kid Mumu. Foram muitos apelidos ao longo da trajetória do cabo da Aeronáutica, o músico, o ator, o marido, o pai, o trapalhão, o diretor da ala das baianas. Foram também 28 filmes, 15 discos, muitas mulheres, porres e amigos. São de histórias assim que Juliano Barreto conta a vida do Carlinhos. “Mussum viveu muito. Ganhou e perdeu muitas lutas, mas como bom malandro, não vacilou”.

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